Sebastião Salgado: Mestre da Fotografia Documental e Ambiental

Trago um pouco de Sebastião Salgado

Confira o texto produzido pela nossa equipe do Curso de Fotografia Campinas

A fotografia é uma arte que captura momentos, emoções e histórias. Neste artigo, vamos explorar a trajetória de um dos maiores fotógrafos do mundo e compreender como sua obra impacta a sociedade. Conhecer a vida de um fotógrafo é essencial para apreciar sua arte e a mensagem que ele deseja transmitir.

Sebastião Salgado é amplamente reconhecido por seu trabalho humanitário e por suas imagens poderosas em preto e branco. Ao longo de décadas, ele construiu uma carreira marcada pelo compromisso social, pela estética refinada e por uma profunda sensibilidade humana.


Quem é Sebastião Salgado?

Sebastião Salgado é um fotógrafo brasileiro de renome internacional, conhecido por documentar a condição humana, o trabalho, os deslocamentos populacionais e a relação entre o homem e a natureza. Seu olhar humanista e sua técnica refinada o tornaram uma referência na fotografia documental.


Principais momentos da carreira

Início da carreira (1973)

Salgado iniciou sua trajetória profissional em 1973, após abandonar a carreira de economista. Trabalhou como freelancer e colaborou com agências renomadas como Gamma, Sygma e Magnum Photos, onde começou a ganhar reconhecimento.

Cobertura da Revolução dos Cravos (1974)

Um de seus primeiros grandes destaques foi a cobertura da Revolução dos Cravos, em Portugal. Esse evento marcou sua consolidação como fotojornalista.

Documentação do Sahel (1986)

Entre 1984 e 1985, Salgado trabalhou com a organização Médicos Sem Fronteiras, documentando os efeitos devastadores da seca na região do Sahel, na África. O projeto resultou no livro “Sahel: O Homem em Agonia”.

Série “Trabalhadores” (1986–1992)

Nesse período, Salgado produziu a série “Trabalhadores”, retratando as condições de vida e trabalho de operários ao redor do mundo. O projeto culminou em um livro publicado em 1996, referência na fotografia documental.

Serra Pelada (1999)

Um de seus trabalhos mais icônicos foi a cobertura da mina de ouro de Serra Pelada, no Pará. Durante 33 dias, ele registrou o cotidiano de mais de 50 mil garimpeiros em condições extremas.

Publicação de “Terra” (1997)

No livro “Terra”, Salgado abordou questões agrárias no Brasil, destacando os desafios enfrentados por comunidades rurais. A obra consolidou ainda mais seu reconhecimento internacional.

Projeto “Gênesis” (2004–2013)

Entre 2004 e 2013, ele desenvolveu o projeto “Gênesis”, documentando paisagens naturais e culturas tradicionais em diversas partes do mundo, com foco na preservação ambiental e cultural.

Reconhecimento internacional

Em 2015, o documentário “Sal da Terra”, dirigido por seu filho Juliano Salgado e por Wim Wenders, foi indicado ao Oscar. Em 2017, ele assumiu uma cadeira na Academia de Belas Artes da França, tornando-se o único brasileiro a receber essa honra.


A técnica fotográfica de Sebastião Salgado

A técnica de Salgado é marcada por uma abordagem documental realista e pela capacidade de capturar imagens intensas e expressivas. Ele prefere trabalhar com câmeras analógicas de grande formato e adota um estilo próximo da fotografia de rua, buscando máxima autenticidade.

Ele também presta atenção minuciosa à luz, às sombras e às texturas, criando imagens que transmitem profundidade e emoção.


O uso do preto e branco como linguagem

A maior parte do trabalho de Sebastião Salgado é conhecida por suas fotografias em preto e branco. Ele acredita que essa estética é mais evocativa e poderosa, permitindo capturar a atmosfera e a essência dos lugares e das pessoas retratadas.

O preto e branco enfatiza luz, sombra e textura, tornando suas imagens mais dramáticas, expressivas e atemporais. Esse estilo tornou-se uma de suas marcas registradas na fotografia documental.


A influência da Magnum Photos em sua carreira

Integração à Magnum Photos

Salgado ingressou na Magnum Photos em 1979, uma das mais prestigiadas cooperativas de fotógrafos do mundo. Essa associação lhe deu uma plataforma sólida para explorar temas sociais e humanitários com liberdade criativa.

Liberdade criativa

Na Magnum, Salgado pôde escolher suas próprias histórias, diferentemente de outras agências mais comerciais. Essa autonomia foi fundamental para o desenvolvimento de seu estilo único.

Viagens pela América Latina

Entre 1977 e 1984, ele realizou diversas viagens pela América Latina, resultando no livro “Outras Américas”, que retrata as condições de vida de camponeses e comunidades indígenas.

Reconhecimento internacional

Em 1981, enquanto trabalhava como repórter fotográfico para o The New York Times, registrou o atentado contra o presidente Ronald Reagan, consolidando sua reputação internacional.

Projetos sociais

Sua atuação na Magnum também permitiu documentar crises humanitárias, como a fome no Sahel e as condições de trabalho em várias regiões do mundo, culminando em projetos como “Trabalhadores”.

Publicações e exposições

A agência facilitou a divulgação de suas obras por meio de livros, exposições e mostras fotográficas, ampliando significativamente seu alcance.

Criação da Amazonas Images

Em 1994, após sua trajetória na Magnum, Salgado fundou sua própria agência, a Amazonas Images, buscando ainda mais controle criativo sobre seus projetos.


O legado de Sebastião Salgado

Aos 80 anos, Sebastião Salgado anunciou sua aposentadoria do trabalho de campo, encerrando uma carreira que deixou uma marca profunda na história da fotografia.

Desde 1973, ele se destacou por seu olhar humanista e por revelar a dignidade, a resistência e a esperança em meio às adversidades. Projetos como “Trabalhadores” e “Êxodos” expõem as lutas diárias de pessoas comuns, enquanto “Gênesis” celebra a beleza da natureza e alerta para a necessidade de preservação ambiental.

Sua influência ultrapassa fronteiras, inspirando fotógrafos, educadores e ativistas em todo o mundo. Mesmo longe do campo, seu trabalho continua vivo, convidando-nos à empatia, à reflexão e à ação.

Sebastião Salgado é mais do que um fotógrafo: é um contador de histórias visuais que nos ensina a olhar o mundo com mais humanidade. Seu legado permanecerá por gerações.

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