De engenheira química a fotógrafa: a trajetória de Naiara Godoi

Até poucos anos atrás, se alguém perguntasse à Naiara Godoi qual era a profissão dela, a resposta vinha sem pensar: engenheira química.

Hoje ela assina a Araian Fotografia, fotografa pessoas com um olhar documental e passou pelo curso de fotografia da PixelPro, onde estudava uma noite por semana, depois do expediente.

Esta é a história de como alguém que se define como “muito racional” encontrou propósito atrás de uma câmera. Sem largar o emprego, sem esperar estar pronta e sem pular etapas.

A engenharia ensinou o método

Naiara gosta de processos, de organização, de entender como as coisas funcionam por dentro. A engenharia química deu a ela muito mais que conhecimento técnico: deu disciplina e resiliência. E uma ideia que ela leva até hoje para tudo o que faz: ninguém nasce sabendo, e prática com constância transforma qualquer habilidade.

Só que a vida certinha começou a pesar.

Na volta do trabalho, todo dia, vinha um vazio difícil de nomear. Ela descreve como viver uma vida correta, mas ainda sem propósito. Quem já sentiu isso sabe que não adianta ignorar. A pergunta volta.

A fotografia já caminhava ao lado

Olhando para trás, Naiara percebe que a fotografia estava por perto muito antes de ela se dar conta.

Na faculdade, ela tinha um amigo fotógrafo, o Lucas Pera Fernandes. Os dois saíam para caminhar, conversar e reparar no que estava em volta. Ele fotografava; ela acompanhava a caça por uma luz boa, uma cena, uma história. Coisa simples, que ela amava. Hoje ela acredita que aquelas caminhadas regavam uma sementinha que já estava ali.

Naiara seguiu acompanhando o trabalho do Lucas quando ele passou a fotografar espetáculos de dança. O estalo veio com as fotos de longa exposição: o obturador fica aberto por um segundo ou mais, e o movimento do bailarino vira rastro de luz em vez de corpo congelado. Diante daquelas imagens, ela pensou pela primeira vez: “eu quero aprender a fazer isso”.

E guardou o desejo na gaveta por mais alguns anos. Acontece com muita gente.

Uma noite por semana na PixelPro

A gaveta abriu depois de umas férias, quando Naiara encontrou o curso da PixelPro. A rotina ficou assim: uma vez por semana, à noite, saindo do trabalho direto para a escola.

Ela entrou esperando o básico. Operar a câmera, entender exposição, compor, dominar a técnica. Saiu com mais do que isso, por três motivos:

  • Turma pequena. A convivência com colegas e professores era próxima, com espaço para pergunta, erro e conversa.
  • O Fernando. Além da técnica, o professor dividia a experiência de muitos anos fotografando, aquele tipo de conselho que não está em manual.
  • Uma turma só de mulheres. Virou um ambiente de troca, incentivo e apoio. O próprio Fernando dizia que nunca tinha tido uma turma que se arriscasse tanto e quisesse tanto fazer acontecer.

Turma que se arrisca aprende mais rápido. Errar em aula, com alguém do lado para explicar o porquê, sai bem mais barato que errar no primeiro trabalho.

Nasce a Araian Fotografia

Nos primeiros trabalhos, ainda sem cobrar, Naiara entendeu que fotografia, para ela, nunca seria só produzir imagem bonita. Era sobre pessoas, sentimentos e memória. Dali nasceu a marca.

O nome saiu de uma conversa com o melhor amigo, o Luís. Ela queria algo diferente e com significado. Ele pegou o nome dela, Naiara, e escreveu ao contrário: Araian. Os dois gostaram na hora.

Naiara gosta de pensar no nome também como um espelho. O fotógrafo observa o outro, mas devolve na imagem as emoções e a história que viu pelo próprio olhar.

Com o nome veio a frase que hoje acompanha o trabalho dela:

“Registrando a vida que se vive fora das telas.”

A frase nasceu de um incômodo. Num parque, numa comemoração, até numa roda de amigos, quase sempre tem um celular entre a pessoa e o momento. Naiara quer o contrário: que as pessoas conversem, brinquem, abracem, chorem e deem risada por inteiro. Da fotografia, ela cuida.

O olhar documental e o cuidado com as pessoas

Faz sentido, então, que o estilo preferido dela seja a fotografia documental. Na prática, isso significa registrar o que acontece sem dirigir a cena: o abraço que ninguém pediu, a risada que escapou, o olhar trocado no canto da festa. A fotógrafa observa e espera, em vez de montar a pose.

Para chegar nisso, a técnica sozinha não basta. A fotografia ensinou a Naiara, mais do que luz e composição, que todo mundo quer ser visto, acolhido e respeitado do jeito que é. Por isso, no começo de qualquer trabalho, a preocupação dela não é a pose perfeita. É deixar a pessoa confortável o bastante para tirar as máscaras e simplesmente ser ela mesma. Ela chama isso de um jeito bonito de amar o próximo.

Naiara também acredita que todo ensaio é uma experiência, até o mais controlado. Tem emoção numa festa, e tem emoção num retrato corporativo de estúdio, com luz medida e fundo neutro. O desejo dela é que, daqui a vinte anos, alguém olhe uma foto sua e consiga reviver aquele momento.

O medo, a rotina CLT e um passo de cada vez

No começo, o maior medo era simples: não ser boa o suficiente. Quase todo fotógrafo iniciante conhece essa voz. Naiara admite que ainda tem muito a aprender (“muito mesmo”, nas palavras dela). A diferença é que parou de esperar saber tudo para seguir. Evolução, para ela, acontece um passo de cada vez.

O desafio maior é outro: conciliar a câmera com o trabalho CLT. Exige organização e escolha de prioridades toda semana. Tem semana em que parece impossível dar conta, e sempre cai algum “pratinho” da vida pessoal.

Ela já pensou em desistir em alguns desses momentos. Mas quando passa muito tempo longe da câmera, sente que falta alguma coisa nos dias. Aquele vazio do fim do expediente, o mesmo do começo da história, é o que traz ela de volta.

Perguntas frequentes

Dá para começar na fotografia sem largar o emprego?

Dá. Naiara fez o curso uma noite por semana, depois do trabalho, e segue conciliando a fotografia com a rotina CLT. Pede organização e escolha de prioridades, mas não exige uma ruptura de uma vez.

Preciso ter experiência para entrar num curso de fotografia?

Não. Ela chegou querendo aprender o básico: operar a câmera, exposição e composição. Turma pequena ajuda muito nessa fase, porque sobra espaço para perguntar e errar com acompanhamento.

O que é fotografia documental?

É o estilo em que o fotógrafo registra o que acontece de forma natural, sem interferir na cena nem dirigir poses. O foco é a emoção real do momento, seja numa festa, num ensaio de família ou num evento.

Quando é hora de criar uma marca própria?

No caso da Naiara, a marca veio junto com os primeiros trabalhos, ainda sem cobrar, quando ela entendeu o que queria contar com a fotografia. Primeiro veio o propósito; o nome e a frase vieram para traduzir isso.

Ainda há muito caminho

Naiara tem projetos pessoais que ainda não saíram do papel e que ela pretende realizar no tempo certo. Mas, se alguém resumisse a história dela até aqui numa frase só, ela já sabe qual gostaria que fosse:

“Para mim, fotografar não é só registrar uma imagem, mas registrar um sentimento. Nisso, eu encontrei propósito e muita beleza.”

Se você também guarda uma vontade na gaveta há alguns anos, a trajetória da Naiara mostra que dá para começar com uma noite por semana. O resto vem caminhando.

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